Como reverter os efeitos do roacutan na oleosidade e microbiota da pele


 O Roacutan (isotretinoína) não é um antibiótico, mas ele indiretamente reduz a população bacteriana da pele.

As principais bactérias envolvidas na acne são:

  • Cutibacterium acnes (antiga Propionibacterium acnes) – é a principal, vive nos folículos pilosos e se alimenta do sebo. Quando o Roacutan diminui a produção de sebo em até 70–80%, essa bactéria perde seu “alimento” e sua quantidade cai muito.

  • Staphylococcus epidermidis – também pode estar presente em excesso na pele oleosa, mas não é o vilão principal.

  • Em alguns casos graves de acne, há supercrescimento de Staphylococcus aureus, mas isso é menos comum.

👉 A isotretinoína não mata diretamente essas bactérias como faria um antibiótico (ex.: tetraciclina, clindamicina).
O que acontece é que, ao reduzir o sebo e modificar a composição dos lipídios na pele, ela torna o ambiente hostil para a proliferação dessas bactérias, levando à diminuição da inflamação e das lesões.

Para reverter a redução permanente da oleosidade e da microbiota cutânea causada pelo Roacutan (já que ele mexe tanto no sebo quanto no equilíbrio bacteriano da pele).

📌 O problema é que o Roacutan age nas próprias glândulas sebáceas: ele diminui o tamanho delas, reduz sua atividade e em alguns casos isso pode ser irreversível ou parcialmente reversível. Por isso, a pele fica menos oleosa para sempre em muitas pessoas.

O que pode ajudar a reverter (ou ao menos compensar)

  • Estimular as glândulas sebáceas: não existe um medicamento específico para "reativar" sebáceas atrofiadas. Mas alguns relatos apontam que suplementos com vitamina A em doses fisiológicas (não altas), vitamina D e zinco podem favorecer o equilíbrio da pele.

  • Reposição lipídica externa: usar óleos vegetais compatíveis com a pele (jojoba, semente de uva, rosa mosqueta) ajuda a restaurar a barreira cutânea e a função protetora que o sebo natural teria.

  • Recolonização bacteriana: há estudos sobre probióticos tópicos (com cepas derivadas de Lactobacillus ou até Cutibacterium acnes inofensivos) para restaurar o microbioma da pele. Ainda é experimental, mas tende a ser promissor.

  • Microbiota interna: intestino e pele estão muito conectados. Probióticos orais (como Lactobacillus rhamnosus GG e Bifidobacterium longum) já mostraram impacto indireto na saúde da pele.

  • Suporte geral: manter alimentação rica em gorduras boas (ômega-3, azeite, nozes, sementes) pode melhorar a lubrificação natural da pele e mucosas.

O que é difícil de reverter

  • A atrofia estrutural das glândulas sebáceas causada pelo Roacutan pode não voltar totalmente. Algumas pessoas relatam recuperação parcial com o tempo (anos), outras não.

  • A sensibilidade da pele e a menor produção de sebo tendem a ser crônicas em quem teve efeitos colaterais duradouros.

👉 Ou seja: dá para suprir e compensar (hidratação, óleos, microbioma, dieta), mas reverter totalmente o efeito direto do Roacutan nas glândulas é algo que, até hoje, não existe forma garantida.

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