Pegamento de enxertias em diferentes espécies, cultivares e porta-enxertos: revisão comparativa de estudos experimentais
Pegamento de enxertias em diferentes espécies, cultivares e porta-enxertos: revisão comparativa de estudos experimentais
Resumo
O sucesso de uma enxertia não depende apenas da habilidade de quem realiza o procedimento. Estudos experimentais mostram efeitos importantes do método de enxertia, genótipo da copa, porta-enxerto, compatibilidade genética, idade e diâmetro do material, estágio fisiológico, época do ano, temperatura, umidade, proteção contra desidratação e manejo posterior.
Esta revisão reúne resultados publicados para aproximadamente 30 culturas frutíferas e lenhosas, incluindo acerola, umbu, pinha, graviola, maracujá, pitanga, jabuticaba, goiaba, citros, manga, abacate, macadâmia, caju, cajá, baru, aroeira, jaca, sapoti, lichia, romã, cacau, kiwi, noz, pecã, pera, maçã, videira, castanha, caqui e oliveira.
A principal conclusão é que não existe uma técnica universalmente superior. Em alguns experimentos a fenda cheia ultrapassa 95% de pegamento; em outros, fica abaixo de métodos de borbulhia ou enxertia inglesa. Da mesma forma, duas cultivares da mesma espécie submetidas ao mesmo procedimento podem apresentar diferenças muito grandes.
1. O que significa "pegamento"?
Um dos maiores problemas ao comparar artigos de enxertia é que pegamento não possui exatamente a mesma definição em todos os trabalhos.
Alguns autores consideram o enxerto "pego" quando ocorre brotação. Outros somente o consideram estabelecido após formação funcional da união e sobrevivência por 60, 90, 120 dias ou até uma estação de crescimento completa.
Isso é importante porque uma gema ou garfo pode utilizar suas próprias reservas para brotar sem que uma ligação vascular permanente tenha sido formada. Estudos com pitangueira, por exemplo, observaram pequenas diferenças entre a porcentagem de brotação e o pegamento definitivo justamente porque alguns enxertos inicialmente brotaram e posteriormente morreram.
Por isso, neste artigo são mantidos, quando o estudo os distingue:
pegamento/sucesso inicial → sobrevivência final → plantas comercializáveis.
Esses números não são intercambiáveis.
2. Os principais tipos de enxertia encontrados nos estudos
Garfagem em fenda cheia: o porta-enxerto é dividido longitudinalmente e o garfo recebe uma cunha em bisel duplo. É um dos métodos mais frequentes nos estudos brasileiros.
Fenda lateral: o garfo é inserido em um corte lateral no porta-enxerto.
Inglesa simples / splice / whip: copa e porta-enxerto recebem cortes oblíquos correspondentes. Exige boa correspondência de diâmetros.
Inglesa complicada / whip-and-tongue: acrescenta-se uma "língua" nos cortes, aumentando contato e estabilidade.
Wedge grafting: enxertia em cunha; dependendo da literatura, aproxima-se bastante da fenda cheia, embora os protocolos não sejam necessariamente idênticos.
Veneer grafting: enxertia por placa/entalhe lateral, muito utilizada em frutíferas tropicais.
Borbulhia em escudo: utiliza somente uma gema acompanhada de pequena região de casca.
Borbulhia de placa: uma pequena placa contendo uma gema é transferida para o porta-enxerto.
Chip budding: borbulhia utilizando um pequeno fragmento de madeira e gema.
Ômega: cortes complementares em formato semelhante à letra grega Ω, geralmente realizados mecanicamente.
Encostia/inarching: copa e porta-enxerto permanecem inicialmente com seus próprios sistemas radiculares enquanto a união se estabelece.
3. Acerola — efeito enorme da proteção contra dessecação
Um experimento da Embrapa conduzido em Petrolina comparou três métodos e, adicionalmente, enxertos protegidos ou não com saco plástico transparente.
Os resultados foram:
| Método | Com proteção | Sem proteção |
|---|---|---|
| Borbulhia de placa em janela aberta | 86,7% | 73,3% |
| Garfagem em fenda cheia | 73,3% | 36,6% |
| Inglesa simples | 40,0% | 10,0% |
Foram utilizadas seis repetições, dez plantas por parcela e cinco plantas por subparcela.
É um dos experimentos mais didáticos de toda a literatura levantada.
Na fenda cheia, a proteção elevou o pegamento de 36,6 para 73,3%, aproximadamente dobrando o resultado. Na inglesa simples, o salto foi ainda maior proporcionalmente: 10 para 40%.
Os autores associaram o efeito principalmente à formação de uma câmara úmida, diminuindo o ressecamento dos tecidos recém-enxertados.
Isso mostra que comparar somente "tipo de enxerto" pode ser enganoso. O mesmo enxerto, realizado da mesma forma, pode praticamente duplicar o índice de sucesso simplesmente alterando o microambiente após a operação.
4. Pinheira (Annona squamosa) — idade do porta-enxerto × método
Um estudo com pinheira encontrou interação estatisticamente significativa entre a idade do porta-enxerto e o método de enxertia.
Com apenas três meses de idade, porta-enxertos submetidos à garfagem de topo em fenda cheia já apresentavam mais de 95% de pegamento.
Na mesma idade, aproximadamente 60% dos enxertos por fenda lateral pegavam, enquanto a borbulhia apresentava menos de 27%. Conforme o porta-enxerto envelhecia, o desempenho da borbulhia melhorava significativamente.
O tamanho do recipiente, por outro lado, não apresentou efeito significativo sobre o pegamento nesse experimento, embora tenha alterado o crescimento e o diâmetro das mudas.
É uma demonstração importante de que a pergunta correta não é apenas:
"Qual enxertia pega melhor?"
mas:
"Qual enxertia pega melhor nessa idade e nesse estado fisiológico do porta-enxerto?"
5. Graviola (Annona muricata) — cultivar, recipiente, idade e método
Em experimento comparando as cultivares Gigante das Alagoas e Crioula, a Gigante das Alagoas apresentou maior pegamento aos 60 e aos 90 dias.
Em mudas cultivadas em sacos de polietileno, a borbulhia em escudo foi superior às garfagens, apresentando aproximadamente:
| Avaliação | Borbulhia em escudo |
|---|---|
| 60 dias | 100% |
| 90 dias | 95% |
Quando os porta-enxertos foram produzidos em tubetes, entretanto, os três métodos avaliados apresentaram mais de 75% de pegamento e não diferiram estatisticamente entre si.
Outro experimento avaliou especificamente a idade do porta-enxerto. Aos 85 dias após a emergência, o pegamento médio alcançou 82%, significativamente superior ao de plantas mais jovens.
Portanto, na mesma espécie aparecem efeitos de:
cultivar + recipiente + idade + técnica.
6. Umbuzeiro (Spondias tuberosa)
Em estudo comparando métodos de enxertia e épocas do ano, as duas técnicas de garfagem foram significativamente superiores à borbulhia.
A garfagem em fenda cheia apresentou média de 97,1% de enxertos viáveis, levando os autores a indicá-la como uma opção particularmente adequada para a espécie.
As diferentes fases fenológicas das plantas matrizes, naquele experimento, não alteraram significativamente o índice de pegamento.
Em outro trabalho, utilizando fenda cheia e acompanhando as mudas posteriormente, observou-se aproximadamente 80% de sobrevivência, além de redução gradual de sucesso quando os garfos eram retirados de plantas matrizes com idade superior a seis anos.
Isso introduz uma variável raramente discutida: idade da própria planta fornecedora do garfo.
7. Maracujazeiro — um dos melhores exemplos de compatibilidade genética
Um estudo da Embrapa Acre avaliou 35 combinações, formadas por sete copas:
FB 100, FB 200, UFAC 07, UFAC 25, UFAC 38, UFAC 64 e UFAC 70,
sobre cinco tipos de porta-enxerto:
Passiflora edulis amarelo, P. edulis roxo, P. alata, P. quadrangularis e P. serrato-digitata.
Foi utilizada fenda cheia hipocotiledonar.
Diversas combinações alcançaram 100% de pegamento, incluindo:
| Copa | Porta-enxerto | Pegamento |
|---|---|---|
| UFAC 07 | P. edulis roxo | 100% |
| UFAC 07 | P. alata | 100% |
| UFAC 38 | P. edulis amarelo | 100% |
| UFAC 38 | P. edulis roxo | 100% |
| UFAC 38 | P. alata | 100% |
| UFAC 64 | P. serrato-digitata | 100% |
A maioria das combinações superou 80%.
Entretanto, FB 100 sobre P. alata apresentou somente 25,16%, o pior resultado do experimento.
É uma diferença extraordinária produzida praticamente pela combinação genética copa × porta-enxerto.
Outro estudo com a cultivar FB200 obteve 100% de pegamento aos 60 dias quando ela foi enxertada sobre P. edulis e P. quadrangularis.
Portanto, dizer simplesmente "maracujá pega bem por enxertia" esconde uma informação essencial: algumas combinações são praticamente perfeitas, enquanto outras, empregando técnica semelhante, podem ficar perto de 25%.
8. Pitangueira — influência comprovada do genótipo
Um estudo da Embrapa Clima Temperado utilizou sete genótipos de pitangueira e garfagem no topo em fenda cheia.
O diâmetro médio no ponto de enxertia era extremamente pequeno, aproximadamente 2,5 mm, e a enxertia foi realizada em setembro.
O pegamento variou entre:
40,0% e 87,5%.
As seleções Pit 75, Pit 61 e Pit 137 ficaram acima de 65% tanto em brotação quanto em pegamento.
Em outro experimento, realizado também no Sul do Brasil, foram comparadas fenda cheia e dupla fenda:
| Método | Pegamento médio |
|---|---|
| Fenda cheia | 60,0% |
| Dupla fenda | 44,2% |
A época teve efeito ainda muito claro:
| Mês | Pegamento médio |
|---|---|
| Julho | 37,5% |
| Agosto | 51,3% |
| Setembro | 67,5% |
Quando método e mês são observados conjuntamente, a fenda cheia atingiu 77,5% em setembro, contra 57,5% da dupla fenda.
Portanto, três componentes atuaram simultaneamente:
genótipo + técnica + época.
9. Jabuticabeira
Em jabuticabeiras ‘Sabará’ e ‘Açu’, foram comparadas fenda cheia e inglesa simples.
A ‘Sabará’ apresentou maior pegamento inicial quando submetida à inglesa simples, enquanto a cultivar ‘Açu’ apresentou maior pegamento final que a ‘Sabará’, além de maior crescimento em diâmetro, comprimento e número de folhas.
O estudo também é interessante por ter feito avaliações tanto aos 50 dias como aos 262 dias, mostrando por que uma avaliação precoce não necessariamente representa o desempenho definitivo.
Outro trabalho enxertou Plinia trunciflora e Plinia cauliflora sobre P. cauliflora e comparou garfos:
herbáceos <3 mm;
semilenhosos de 3–5 mm;
semilenhosos de 5–7 mm.
Garfos semilenhosos de baixo calibre, 3–5 mm, favoreceram significativamente o pegamento em comparação com garfos herbáceos.
Aqui aparece novamente a importância do estágio de lignificação e do diâmetro do garfo.
10. Goiabeira — cultivar, espécie do porta-enxerto, ambiente e técnica
Em estudo brasileiro com minigarfagem, as cultivares Paluma e Cortibel 1 foram enxertadas sobre Psidium guajava e P. guineense.
Os pegamentos observados foram:
| Combinação | Pegamento |
|---|---|
| Cortibel 1 / P. guineense | 52% |
| Cortibel 1 / P. guajava | 54% |
| Paluma / P. guineense | 82% |
| Paluma / P. guajava | 84% |
O efeito estatisticamente detectável foi principalmente da cultivar copa, com Paluma claramente superior à Cortibel 1.
Um estudo indiano com a cultivar Allahabad Safeda comparou cinco métodos, dois porta-enxertos, três épocas e cultivo em ambiente aberto ou protegido.
A melhor combinação foi porta-enxerto local + wedge grafting + proteção tipo polycap + cultivo em polyhouse.
A sobrevivência chegou a:
94,85% em novembro;
92,84% em fevereiro;
89,64% em julho.
No extremo oposto, L-49 + borbulhia em escudo + ambiente aberto ficou aproximadamente entre 42 e 52%, dependendo do mês.
Outro experimento registrou 82,3% de sobrevivência com borbulhia em placa realizada em março sob sombreamento.
Portanto, mesmo dentro da goiabeira, o "melhor método" muda conforme o sistema utilizado.
11. Citros — o porta-enxerto pode modificar fortemente o pegamento
Em laranjeira ‘Pêra’, a borbulhia apresentou aproximadamente:
| Porta-enxerto | Pegamento médio |
|---|---|
| Limoeiro ‘Cravo’ | 85% |
| Tangerineira ‘Sunki’ | 66% |
O estudo também observou efeito da nutrição com cobre sobre o pegamento.
Outro experimento enxertou pequenos ápices caulinares da laranjeira ‘Valência’ sobre cinco porta-enxertos.
Aos 45 dias:
| Porta-enxerto | Pegamento |
|---|---|
| Limão ‘Cravo’ | 79% |
| Citrange ‘Troyer’ | 67% |
| Tangerina ‘Cleópatra’ | 66% |
| Trifoliata ‘Davis A’ | 61% |
| Citrumelo ‘Swingle’ | 34% |
É mais uma evidência forte de que o porta-enxerto pode alterar drasticamente o resultado mesmo com a copa e técnica mantidas.
12. Abacateiro — Hass × Fortuna e efeito da época
Um estudo avaliou mensalmente as cultivares Hass e Fortuna usando garfagem de topo em fenda cheia.
Em novembro, os máximos observados foram aproximadamente:
Hass: 42,5%
Fortuna: 70%.
Considerando todos os meses, Fortuna apresentou média de 38,54%, estatisticamente superior aos 21,04% da Hass.
Os autores indicaram novembro–dezembro como período mais favorável nas condições de Jaboticabal.
Outro estudo mostrou um fator adicional: proteção do garfo.
Com parafilme, o abacateiro atingiu aproximadamente 80,3% de pegamento, enquanto materiais menos adequados apresentaram resultados consideravelmente inferiores.
Em comparação direta citada em outro trabalho, parafilme chegou a 80,26%, enquanto saco de polietileno ficou em 36,19%.
13. Mangueira ‘Tommy Atkins’
No mesmo experimento de proteção de enxertos, a mangueira ‘Tommy Atkins’ apresentou:
| Proteção | Pegamento |
|---|---|
| Parafilme | 59,6% |
| Filme de PVC | 50,2% |
| Saco de polietileno | 50,2% |
Esses três tratamentos não diferiram estatisticamente entre si para mangueira.
Isso é interessante porque o mesmo parafilme produziu uma vantagem muito maior em abacate e macadâmia. Uma técnica de proteção não apresenta necessariamente a mesma vantagem relativa em culturas diferentes.
14. Nogueira-macadâmia ‘Kau 344’
No mesmo experimento:
parafilme: 74,1%;
filme PVC: 41,7%.
O parafilme também melhorou o desenvolvimento posterior das brotações.
15. Cajueiro-anão-precoce ‘CCP 76’
Um estudo avaliou de onde retirar o propágulo utilizado para borbulhia.
Foram comparados ramos vegetativos e ramos em diferentes estágios reprodutivos, com e sem folhas.
Propágulos provenientes de ramos com floração/flores abertas apresentaram pegamento de aproximadamente 96%, além de melhor desenvolvimento inicial das plantas.
Nesse caso, o estado fisiológico do ramo fornecedor foi decisivo.
16. Cajazeira
Em experimento comparando três métodos de garfagem:
| Método | Pegamento |
|---|---|
| Inglesa simples | 89,58% |
| Fenda lateral | 87,50% |
| Fenda cheia | 72,91% |
Inglesa simples e fenda lateral foram estatisticamente superiores à fenda cheia.
Isso é particularmente interessante porque contrasta com espécies como pinheira e umbu, nas quais a fenda cheia aparece entre os melhores métodos.
É evidência direta contra a criação de um ranking universal de técnicas.
17. Baruzeiro (Dipteryx alata)
Foram estudadas borbulhia de placa, fenda cheia e inglesa simples.
Todos os métodos conseguiram mais de 50% de pegamento na avaliação final, com a borbulhia de placa chegando a aproximadamente 63%.
As diferenças entre os três métodos não foram estatisticamente significativas.
18. Aroeira-pimenteira
Foram comparados cinco métodos:
fenda cheia;
inglesa simples;
inglesa complicada;
borbulhia T normal;
borbulhia T invertido.
Também foram comparadas épocas.
O melhor tratamento encontrado foi a fenda cheia realizada em dezembro, porém mesmo o melhor resultado foi de apenas aproximadamente 40%.
É um lembrete de que algumas espécies simplesmente apresentam maior dificuldade de propagação por enxertia nas condições testadas.
19. Jaqueira
Um estudo de 2014–2017 avaliou mensalmente softwood grafting em porta-enxertos de um ano.
Dezembro apresentou:
93,80% de sucesso inicial;
88,87% de sobrevivência final.
Também apresentou menor tempo até a brotação, aproximadamente 26 dias.
Uma revisão da literatura relata, entretanto, resultados históricos de 0 a 90% para diferentes métodos e condições de enxertia de jaqueira.
Essa amplitude mostra quanto protocolo, ambiente e material vegetal importam.
20. Sapoti ‘Kalipatti’
Um estudo recente comparou wedge, side, tongue, veneer e inarching sobre porta-enxerto de Khirni (Manilkara hexandra), realizando enxertias de fevereiro a setembro.
A maior sobrevivência média foi encontrada na encostia/inarching: 70,56%.
Side grafting ficou em aproximadamente 60% e veneer grafting em 58,33%.
Considerando a época, junho apresentou a maior sobrevivência média, aproximadamente 63,33%, seguido de julho, com 62%.
Outro estudo demonstrou efeito do diâmetro do garfo: garfos mais grossos apresentaram maior sucesso e crescimento.
Também há evidência de que a retirada antecipada de folhas/"cura" do garfo pode melhorar o resultado; garfos preparados dez dias antes alcançaram 62,5% de sucesso aos 90 dias e 84% de sobrevivência entre os enxertos avaliados.
21. Lichia — 26,7 a 100% apenas trocando o porta-enxerto
Um experimento enxertou a cultivar ‘Lingfengnuo’ sobre mudas de 13 cultivares diferentes.
As taxas de sobrevivência foram:
| Porta-enxerto | Sobrevivência |
|---|---|
| XJZ | 100% |
| HZ | 85,7% |
| BL | 68,8% |
| JGHN | 63,6% |
| BTY | 54,5% |
| SK | 50,0% |
| SSH | 45,5% |
| MGL | 44,4% |
| HY | 41,7% |
| SD | 41,7% |
| SJYHB | 40,0% |
| CZ | 40,0% |
| HHDHL | 26,7% |
É talvez uma das demonstrações mais claras da revisão de que compatibilidade não é simplesmente "espécie A com espécie A". Dentro da própria cultura, o genótipo do porta-enxerto pode transformar uma combinação de 26,7% em outra de 100%.
22. Romã
Um estudo recente comparou técnicas e tipo de garfo nas cultivares Malas Mumtaz e Kolbad Shirin.
Resultados médios:
| Técnica | Sucesso |
|---|---|
| Fenda | 74,35% |
| Splice | 81,60% |
| Spliced tongue + garfo ramificado | 90,1% |
A presença de garfos "feathered" melhorou significativamente o sucesso.
Outro estudo em condições semiáridas encontrou 85,83% de sucesso aos 90 dias com wedge grafting realizado em 30 de janeiro.
Em outro experimento com as cultivares ‘Gorj-e-Dadashi’, ‘Gorj-e-Shahvar’, ‘Post Ghermaz-e-Aliaghai’, ‘Rabab-e-Neyriz’ e ‘Khafr-e-Jahroom’, o tipo de porta-enxerto alterou significativamente a taxa de sucesso.
23. Cacau — idade do porta-enxerto altera drasticamente o resultado
Um experimento avaliou dez clones de elite sobre porta-enxertos com dois, três e quatro meses.
A média geral de sucesso foi aproximadamente:
| Idade do porta-enxerto | Sucesso médio |
|---|---|
| 2 meses | <5% |
| 3 meses | 18,7% |
| 4 meses | 32,7% |
Nos porta-enxertos com quatro meses, os clones C18 e C20 chegaram a 66,7%.
Com três meses, C17 chegou a 46,7%, enquanto algumas combinações não tiveram sequer um enxerto bem-sucedido.
É uma evidência muito forte contra enxertar simplesmente "assim que a muda estiver grande o suficiente para cortar". A maturidade fisiológica pode ser tão importante quanto o tamanho físico.
24. Kiwi
Em estudo com as cultivares Allison, Bruno, Hayward e Monty, a Allison apresentou:
96,87% de sucesso;
93,75% de sobrevivência.
Monty apresentou:
73,44% de sucesso;
64,21% de sobrevivência.
A fita de enxertia também foi superior ao plástico de polietileno, com 92,18% de sucesso e 87,01% de sobrevivência.
Outro experimento envolvendo Allison, Bruno, Hayward Oblong, Hayward Oval e Monty encontrou resultados diferentes sob outro protocolo; Hayward Oval chegou a 84%, enquanto outras cultivares tiveram desempenho inferior.
Os dois experimentos juntos são um bom exemplo de por que cultivar não pode ser analisada isoladamente do ambiente e da técnica.
25. Nogueira (Juglans regia) — técnica pode mudar o resultado de 24 para 84%
Em condições controladas, foram avaliadas as cultivares Z53, Hartley, Pedro e Serr, utilizando side stub, ômega e whip tongue.
Os resultados médios de sobrevivência/sucesso relatados foram:
| Técnica | Resultado |
|---|---|
| Ômega | 84,33% |
| Side stub | 41,89% |
| Whip tongue | 24,31% |
A combinação Hartley + ômega chegou a 88,44% de pegamento.
Outro estudo de campo comparou Hartley e Payne utilizando tongue grafting.
Hartley apresentou 81,56% de pegamento, contra 70,31% em Payne.
A época também foi significativa: enxertias realizadas em 4 de abril atingiram 83,13%, enquanto as de 21 de março ficaram em 71,25%.
Outro experimento com Tokat e Yalova 1 encontrou, em fevereiro, resultados de 60–70%, dependendo do método.
26. Nogueira-pecã
Em experimento comparando tongue, cleft e side grafting e quatro épocas, a melhor combinação foi:
tongue grafting + primeira semana de março.
Resultado:
69,16% de sucesso inicial;
47,33% de sobrevivência.
A diferença entre esses dois números novamente mostra por que "pegou" não significa necessariamente "sobreviveu".
Uma revisão de estudos de pecã relata ainda forte efeito da cultivar. Em determinado trabalho:
Desirable: 87,13%;
Caddo: 70,51%.
Em outro experimento, ‘Wichita’ atingiu 92%, enquanto ‘10J’ ficou abaixo de 10%.
27. Pereira — índices altos, mas ainda existe efeito de copa e porta-enxerto
Um estudo amplo avaliou diferentes cultivares e genótipos de pereira sobre porta-enxertos de pereira e marmeleiro.
O pegamento médio variou:
entre cultivares: 90,5–99,7%;
entre porta-enxertos: 90,9–96,1%.
A cultivar Deveci apresentou o maior pegamento.
Entre os porta-enxertos, OHxF333 apresentou o maior pegamento, enquanto Quince A apresentou o menor.
Foram estudados também Fox 11, Farold 40, BA29, MC, mudas de pereira e diversas cultivares/genótipos como Bardak, İstanbul, Williams, Sarıkum, Kış, Dalkıran, Karpuz, Yaz Ziraati, Eşek e Kara.
A sobrevivência média permaneceu acima de 81% considerando os porta-enxertos e acima de 84% considerando os genótipos, mas os porta-enxertos de pereira apresentaram sobrevivência superior à observada em marmeleiro.
28. Macieira — compatibilidade muito alta em um amplo conjunto de copas
Um estudo de compatibilidade do novo porta-enxerto 12–2 testou 13 materiais de copa e o comparou com o controle PYTC.
Foram enxertados 260 garfos por porta-enxerto.
Resultados gerais:
| Porta-enxerto | Sobrevivência |
|---|---|
| 12–2 | 95,77% |
| PYTC | 94,62% |
Não houve diferença significativa entre os dois.
Algumas combinações individualmente apresentaram 20 sobreviventes em 20 enxertos, enquanto outras tiveram pequenas perdas.
Isso mostra o outro extremo da enxertia: em culturas com sistemas muito bem selecionados e compatíveis, taxas próximas de 95–100% podem se tornar normais.
29. Videira
Em experimento investigando compatibilidade, heteroenxertos de Vitis vinifera sobre o porta-enxerto 110R apresentaram aproximadamente 85–98% de pegamento, enquanto alguns homoenxertos de V. vinifera apresentaram apenas 13–35%.
O próprio 110R enxertado sobre si apresentou aproximadamente 98%.
Outro trabalho comparou clones TN21 e TN112 de Touriga Nacional.
Sobre 1103-P:
TN21: 66,5%;
TN112: 52,3% de sucesso ao final do ciclo vegetativo.
O caso da videira também mostra a importância de distinguir avaliações iniciais de um enxerto da sobrevivência ao final do ciclo.
30. Castanheira — pegamento inicial alto não garante sobrevivência alguns anos depois
Um estudo de longa duração avaliou cultivares e genótipos de castanha, incluindo Marigoule, Akyüz, Ali Nihat, Macit 55 e A41.
Algumas combinações apresentaram sucesso inicial extraordinariamente alto:
Marigoule/A41: 93,9%;
Marigoule/Akyüz: 91,7%.
Por outro lado:
A41/A41: apenas 2,6%.
Mais importante ainda, a sobrevivência foi acompanhada durante três anos.
A combinação Macit 55/Macit 55 permaneceu com aproximadamente 82,4% de sobrevivência no terceiro ano, enquanto A41/A41 chegou a 0%.
É provavelmente um dos melhores argumentos para não considerar uma enxertia verdadeiramente avaliada apenas 30 dias depois.
31. Caquizeiro — material de amarração pode ser mais importante que a cultivar
Um experimento com as cultivares Rojo Brillante e Samarkheli apresentou uma diferença impressionante em função do material usado para proteger/amarrar a enxertia.
Pegamento aproximadamente:
| Proteção | Sucesso |
|---|---|
| Buddy tape | 92% |
| Filme plástico alimentar | 7% |
| Barro | 5% |
| Sem cobertura | 10% |
A média atribuída à cultivar foi de aproximadamente 24% para Rojo Brillante e 33% para Samarkheli, mas o efeito do material de proteção foi muito maior.
O experimento mostra novamente que uma cultivar não pode ser rotulada simplesmente como "difícil de enxertar" sem conhecer o protocolo utilizado.
32. Oliveira — evidências modernas de compatibilidade entre genótipos
Um estudo recente utilizando microenxertia in vitro comparou ‘Galega’, ‘Arbequina’, G26 e G35.
Quando Galega foi utilizada como porta-enxerto:
Galega/Galega: 100%;
Arbequina/Galega: 89%;
G26/Galega: 92,5%.
Como se trata de microenxertia in vitro, os percentuais não devem ser diretamente comparados aos trabalhos de viveiro e campo apresentados anteriormente.
Outro estudo com genótipos de oliveira selvagem encontrou pegamento variando aproximadamente entre 40 e 94%, dependendo do genótipo utilizado.
33. O que todos esses estudos juntos mostram?
33.1. Não existe "melhor método de enxertia" universal
Exemplos:
Na pinheira, fenda cheia ultrapassou 95%.
No umbu, fenda cheia alcançou média de 97,1%.
Na cajazeira, entretanto, fenda cheia apresentou 72,91%, ficando atrás da inglesa simples, com 89,58%.
Na acerola, borbulhia de placa protegida atingiu 86,7%, contra 73,3% da fenda cheia e 40% da inglesa simples.
Na nogueira, enxertia ômega alcançou 84,33%, contra somente 24,31% da whip tongue naquele protocolo.
A espécie altera completamente o ranking.
34. Correspondência de diâmetro e estágio do tecido
Não basta aproximar dois galhos.
O objetivo é maximizar a aproximação entre tecidos cambiais metabolicamente ativos.
Mas o "diâmetro ideal" não é universal.
Na pitangueira foi possível trabalhar com material de apenas aproximadamente 2,5 mm.
Na jabuticabeira, garfos semilenhosos de 3–5 mm tiveram desempenho superior aos herbáceos abaixo de 3 mm.
No sapoti, garfos mais grossos apresentaram melhor desempenho que os mais finos.
Portanto, o que parece importar não é simplesmente "quanto mais grosso, melhor", mas uma combinação de:
diâmetro + maturidade + reservas + lignificação + correspondência cambial.
35. Umidade e proteção são algumas das variáveis mais poderosas
A acerola fornece um exemplo quase experimental perfeito.
Fenda cheia:
36,6% → 73,3% apenas adicionando proteção.
Inglesa simples:
10% → 40%.
No abacate, parafilme atingiu aproximadamente 80%, enquanto saco plástico em determinado experimento ficou perto de 36%.
No caqui, Buddy Tape atingiu 92% contra apenas 5–10% em diversos tratamentos alternativos.
Isso faz sentido fisiologicamente: antes da reconexão vascular, o garfo está perdendo água sem dispor de um sistema radicular funcional para repô-la.
Evitar dessecação nos primeiros dias pode ser tão importante quanto executar perfeitamente o corte.
36. Época do ano
A época mostrou efeitos grandes em várias culturas.
Pitangueira:
37,5% julho → 67,5% setembro.
Abacate:
novembro foi particularmente favorável para Hass e Fortuna.
Jaqueira:
dezembro alcançou 93,8% de sucesso e 88,87% de sobrevivência.
Nogueira:
4 de abril apresentou 83,13%, contra 71,25% em 21 de março.
Sapoti:
junho e julho foram os melhores períodos no estudo realizado no norte da Índia.
Mas essas datas não devem ser transportadas diretamente entre países.
"Setembro" no Rio Grande do Sul representa uma condição fisiológica e climática completamente diferente de setembro em uma região tropical da Índia.
O princípio transferível é:
enxertar quando temperatura, umidade, atividade cambial e estado fisiológico da planta favorecem rápida formação de calo e conexão vascular.
37. Idade do porta-enxerto
Também não existe uma idade universal.
Pinheira já apresentou mais de 95% com aproximadamente três meses.
Graviola apresentou melhora significativa até aproximadamente 85 dias.
Cacau mostrou diferença dramática:
<5% aos dois meses → 18,7% aos três → 32,7% aos quatro meses, com determinadas combinações chegando a 66,7%.
A idade cronológica provavelmente funciona, em grande parte, como marcador de outras características:
espessura;
lignificação;
reservas de carboidratos;
atividade cambial;
relação raiz/parte aérea;
capacidade de responder ao ferimento.
38. Genética da copa e do porta-enxerto
Talvez seja a variável mais subestimada.
Lichia:
26,7% → 100% dependendo do porta-enxerto.
Maracujá:
25,16% → 100% dependendo da combinação.
Pitanga:
40 → 87,5% entre genótipos sob procedimento semelhante.
Goiaba:
Cortibel aproximadamente 52–54%; Paluma aproximadamente 82–84%.
Abacate:
Fortuna apresentou desempenho médio significativamente superior ao da Hass.
Castanha:
2,6 a 93,9%, dependendo da combinação.
Portanto, "compatível biologicamente" não significa necessariamente "igualmente eficiente".
Há um espectro de compatibilidade.
39. Brotação não é sobrevivência
Vários estudos permitem enxergar esse problema.
Pecã:
69,16% de sucesso inicial → 47,33% de sobrevivência.
Jaqueira:
93,80% de sucesso → 88,87% de sobrevivência.
Kiwi Allison:
96,87% de sucesso → 93,75% de sobrevivência.
Monty:
73,44% → 64,21%.
Castanheira demonstra o problema em prazo ainda maior: algumas combinações que apresentavam alto pegamento inicial perderam grande porcentagem das plantas ao longo de três anos.
Assim, um experimento ideal deveria registrar pelo menos:
brotação inicial → união aparente → sobrevivência em 60–120 dias → sobrevivência após uma estação → desempenho em campo.
40. Ranking dos fatores que parecem mais importantes
Não é possível produzir um ranking estatístico universal combinando esses artigos, porque os desenhos experimentais são diferentes.
Entretanto, a literatura reunida sugere repetidamente forte influência de:
| Fator | Evidência observada |
|---|---|
| Compatibilidade copa/porta-enxerto | diferenças de 25–100%, 26,7–100%, 2,6–93,9% em diferentes estudos |
| Época/estado fisiológico | diferenças grandes em pitanga, abacate, noz, jaca e sapoti |
| Proteção contra dessecação | efeitos extremamente grandes em acerola, abacate e caqui |
| Método de enxertia | diferenças enormes em noz, acerola, cajá e outras culturas |
| Idade do porta-enxerto | efeito claro em pinha, graviola e principalmente cacau |
| Genótipo da copa | efeitos em pitanga, goiaba, abacate, noz, kiwi etc. |
| Diâmetro/maturidade do garfo | efeitos em jabuticaba, sapoti e outras culturas |
| Ambiente após enxertia | sombra, casa de vegetação, umidade e temperatura frequentemente alteram o resultado |
| Momento da avaliação | determina se se está medindo brotação ou sobrevivência real |
41. Resultados máximos encontrados nesta revisão
É tentador observar somente os maiores percentuais, mas eles devem ser entendidos como resultados de combinações específicas, não como garantias.
| Cultura/combinação | Resultado relatado |
|---|---|
| Maracujá — várias combinações UFAC/Passiflora | 100% |
| Graviola — borbulhia em escudo, avaliação inicial | 100% |
| Lichia Lingfengnuo/XJZ | 100% |
| Macieira, determinadas combinações individuais | 100% em pequenos grupos de 20 |
| Umbuzeiro — fenda cheia, média | 97,1% |
| Kiwi Allison | 96,87% sucesso |
| Cajueiro CCP 76, determinados propágulos | 96% |
| Pinheira, fenda cheia precoce | >95% |
| Goiaba, melhor combinação estudada | 94,85% sobrevivência |
| Castanha Marigoule/A41 | 93,9% sucesso inicial |
| Jaqueira, dezembro | 93,8% sucesso |
| Caqui + Buddy Tape | 92% |
| Pecã ‘Wichita’, estudo citado em revisão | 92% |
| Romã, tongue + garfo adequado | 90,1% |
| Cajazeira, inglesa simples | 89,58% |
| Nogueira Hartley + ômega | 88,44% |
| Pitangueira, melhor genótipo no estudo | 87,5% |
| Acerola, borbulhia protegida | 86,7% |
Esses resultados demonstram que taxas acima de 80–90% são biologicamente possíveis em muitas espécies, mas somente quando material, técnica e ambiente são favoráveis.
42. O que parece constituir uma enxertia de alta probabilidade de sucesso
A síntese dos estudos sugere um conjunto de condições recorrentes.
O porta-enxerto precisa estar em estágio fisiológico adequado e possuir diâmetro suficiente para permitir bom contato cambial.
O garfo deve estar suficientemente maduro para possuir reservas e resistir à desidratação, mas ainda apresentar atividade fisiológica capaz de produzir rapidamente tecido de cicatrização.
Os diâmetros não precisam necessariamente ser idênticos, mas pelo menos uma faixa significativa de câmbio das duas partes precisa permanecer corretamente posicionada.
O corte deve causar pouca destruição ou esmagamento dos tecidos.
O tempo entre o preparo das superfícies e sua união deve ser pequeno, reduzindo oxidação e dessecação.
A fixação precisa impedir movimentação mecânica da interface.
A região precisa ser protegida contra perda excessiva de água.
Temperatura e umidade devem favorecer atividade cambial e formação de calo.
O porta-enxerto deve continuar fornecendo água e carboidratos suficientes durante a cicatrização.
A época precisa coincidir com um estado fisiológico favorável das duas partes.
E, finalmente, a combinação genética precisa realmente ser compatível.
43. O que estes dados NÃO permitem afirmar
Não é válido pegar os 97,1% do umbu e concluir que fenda cheia possui "97% de chance de pegar".
Esse percentual pertence àquele material e àquelas condições experimentais.
Também não é correto concluir que borbulhia é superior porque atingiu 100% em graviola ou que inglesa simples é inferior porque apresentou 10% em acerola sem proteção.
Na cajazeira, por exemplo, inglesa simples chegou a 89,58%.
Da mesma forma, o resultado de um enxertador profissional sob ambiente controlado não é automaticamente reproduzível em enxertia de campo.
O que esses estudos permitem é identificar quais variáveis deslocam a probabilidade de sucesso.
44. Conclusão geral
A literatura científica não apoia uma regra simples do tipo:
fenda cheia > inglesa > borbulhia.
Ela mostra algo muito mais interessante.
A porcentagem de pegamento é resultado de uma interação:
espécie × cultivar × porta-enxerto × método × idade × diâmetro × maturidade × época × proteção × ambiente × manejo pós-enxertia.
Em alguns casos, alterar apenas um componente produz diferenças pequenas.
Em outros, a diferença é enorme:
acerola, proteção: 36,6 → 73,3%;
maracujá, combinação genética: 25,16 → 100%;
lichia, porta-enxerto: 26,7 → 100%;
nogueira, técnica: 24,31 → 84,33%;
cacau, idade: <5 → 32,7% de média, chegando a 66,7% em alguns clones;
caqui, proteção: aproximadamente 5–10 → 92%;
castanheira, combinação genética: 2,6 → 93,9%.
Essas amplitudes mostram que o pegamento não deve ser tratado como uma propriedade fixa da espécie.
Ele é uma probabilidade altamente condicionada pelo sistema de enxertia utilizado.
Para maximizar o sucesso de uma espécie específica, a estratégia cientificamente mais defensável é descobrir, nessa ordem:
qual combinação copa/porta-enxerto é compatível; qual estágio fisiológico é ideal; qual época maximiza atividade cambial; qual método fornece maior contato cambial para aquele material; qual proteção impede dessecação; e qual percentual realmente continua vivo meses depois.
45. Estudos e fontes principais utilizados
| Cultura | Estudo / fonte |
|---|---|
| Acerola | Gonzaga Neto, Amaral & Saueressig — Enxertia por garfagem e borbulhia em acerola sob telado, Pesquisa Agropecuária Brasileira. |
| Umbu | Influência de fatores fisiológicos de plantas-matrizes e de épocas do ano no pegamento de diferentes métodos de enxertia do umbuzeiro. |
| Pinheira | Produção de porta-enxertos em tubetes e enxertia precoce da pinheira. |
| Graviola | Avaliação de tipos de enxertia e recipientes para produção de mudas de gravioleira. |
| Graviola | Enxertia precoce da gravioleira. |
| Maracujá | Pegamento da enxertia em diferentes combinações de variedades e espécies utilizadas como copa e porta-enxertos. |
| Maracujá FB200 | Índice de pegamento e precocidade de mudas da variedade FB200... |
| Pitanga | Franzon et al. — Propagação da pitangueira através da enxertia de garfagem. |
| Pitanga | Propagação vegetativa de genótipos de pitangueira do Sul do Brasil. |
| Jabuticaba | Pegamento e crescimento inicial de mudas de jabuticabeiras ‘Açu’ e ‘Sabará’. |
| Jabuticaba | Enxertia interespecífica de jabuticabeira: influência do tipo de garfo. |
| Goiaba | Estudo Paluma/Cortibel 1 em Psidium guajava e P. guineense. |
| Goiaba | Joshi, Syamal & Singh — Comparative efficacy of different propagation techniques in guava. |
| Citros | Laranjeira ‘Pêra’ em ‘Cravo’ e ‘Sunki’. |
| Citros | Laranjeira ‘Valência’ sobre cinco porta-enxertos. |
| Manga, abacate e macadâmia | Jacomino et al. — Métodos de proteção de enxerto na produção de mudas de mangueira, abacateiro e nogueira-macadâmia. |
| Abacate Hass/Fortuna | Influência da época do ano no sucesso da enxertia nas variedades de abacateiro Hass e Fortuna. |
| Cajueiro CCP 76 | Estudo do tipo fisiológico de ramo fornecedor do propágulo. |
| Cajazeira | Enxertia da cajazeira. |
| Baru | Avaliação de métodos de enxertia em mudas de baruzeiro. |
| Aroeira-pimenteira | Propagação vegetativa de aroeira-pimenteira. |
| Jaca | Raut et al. — Standardization of softwood grafting and time in Jackfruit. |
| Sapoti | Kaur, Boora & Singh — estudo com cv. Kalipatti. |
| Lichia | A Study of Shoot Growth, Leaf Photosynthesis, and Nutrients in ‘Lingfengjing/Lingfengnuo’ Litchi Grafted onto Seedlings of Different Cultivars. |
| Romã | Pomegranate grafting: Optimization of technique... |
| Cacau | Successful grafting elite cocoa clones as a function of the age of rootstock. |
| Kiwi | Effect of scion varieties and wrapping materials on success of tongue grafting in Kiwifruit. |
| Nogueira | Dehghan et al. — estudo de métodos de bench grafting e cultivares. |
| Nogueira | Estudo Hartley × Payne e época da enxertia. |
| Pecã | Standardization of method and time of grafting on pecan. |
| Pereira | Öztürk — Effects of Different Rootstocks on the Graft Success... of Some Pear Cultivars. |
| Macieira | Study of the grafting compatibility of the apple rootstock 12–2. |
| Videira | A Phenotypic Search on Graft Compatibility in Grapevine. |
| Videira | Understanding the molecular mechanisms underlying graft success in grapevine. |
| Castanheira | Determination of the Grafting Performance of Some Hybrid Chestnut Genotypes and Cultivars. |
| Caqui | Estudo sobre ambiente, cultivar e materiais de cobertura em Diospyros kaki. |
| Oliveira | Estudo de microenxertia entre Galega, Arbequina, G26 e G35. |
Observação metodológica final
Esta é uma revisão técnica ampla de trabalhos localizados e verificáveis, não uma metanálise estatística nem uma revisão sistemática PRISMA de toda a literatura mundial. Foram preservados os números publicados nos experimentos e evitada a extrapolação de valores ausentes.
Quando o artigo informa apenas que um tratamento foi superior, sem disponibilizar no resumo/texto consultável a porcentagem correspondente, não foi criada uma porcentagem por inferência.
Da mesma maneira, sucesso, pegamento, brotação e sobrevivência foram mantidos separados sempre que o estudo os tratou como medidas diferentes.
Isso é essencial para não transformar dados reais de experimentos de enxertia em números aparentemente precisos, mas biologicamente enganosos.
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